Thaynara Oliveira - Automedicação: uma prática comum e muito perigosa

Atualizado: 16 de mar.


Se você é daquelas pessoas que já chega na farmácia com cestinha para fazer compras de medicamentos sem receita médica ou receita de outro profissional de saúde habilitado, como se estivesse num supermercado... ou se você é daqueles(as) que não pode ver alguém se queixar de alguma coisa que já vai oferecendo um remedinho... pare uns minutinhos do seu tempo para ler esse texto e refletir sobre automedicação.

A automedicação é a prática do uso de medicamentos sem orientação e/ou prescrição de um profissional da saúde. É o ato buscar resolver uma determinada situação de saúde por conta própria.


A verdade é que nada nessa vida é totalmente inócuo, isto é, inofensivo. Como disse Isaac Newton, “toda ação traz uma reação” e com o uso indiscriminado de medicamentos não seria diferente. Um exemplo prático: até mesmo aquela AAS infantil que no passado era consumida por muitos como bala, pode trazer graves riscos à saúde, sabia? E mais, sabe aqueles chás ditos milagrosos que prometem resolver muitos agravos? Sim, eles também podem trazer danos à saúde. Mas, aí você pode se questionar agora: e chá não é natural? Por que faria mal à saúde? A resposta é simples e objetiva: não é porque o produto é dito natural que não faz mal à saúde. Há de se avaliar concentração, dose e, principalmente, indicação.


Existe algo importante na indústria farmacêutica chamado controle de qualidade, em que as substâncias contidas nos medicamentos passam por testes, dentre eles os biodisponibilidade e bioequivalência, de maneira a garantir dose correta e absorção ideal, minimizando possíveis efeitos colaterais. Mas, mesmo assim, eles não são isentos de efeitos colaterais.


Não obstante, é fato a importância da medicina natural, amplamente utilizada pelos nossos ancestrais. Quem aqui nunca tomou um chá que a avó ou a tia ofereceu para um desconforto relacionado à saúde? Contudo, chamo à atenção para os riscos do uso de quaisquer formulações, sejam elas de farmácia (alopáticos), naturais ou homeopáticos, sem indicação de um profissional de saúde, pois o uso e/ou abuso, além de intoxicação, interação medicamentosa, pode levar à morte.


A mídia exerce um papel importante na disseminação de opiniões, vendendo promessas de produtos milagrosos para isso ou para aquilo, e com medicamentos não é diferente. E você, leitor, consumidor de opiniões, certamente uma vez na sua vida já se deixou levar por alguma propaganda, não é mesmo?! Mas, você também já prestou atenção que ao final das propagandas há a mensagem “se persistirem os sintomas, o médico deverá ser consultado?” Pois, então...


Pode até ser que determinado medicamento utilizado por conta própria tenha dado certo para você, mas e se não der? Você se automedicou, protelou uma determinada situação, por vezes agravando-a, sobrecarregou seu organismo e, no final das contas, vai ter que ir onde já deveria ter ido inicialmente: ao médico! É fato que, infelizmente, nem sempre o acesso ao serviço de saúde é rápido, mas é a via correta e mais segura.


Vivemos a era de pessoas que se automedicam por tudo, sem medo. Doeu? machucou? Toma anti-inflamatório! Sem falar nos milagrosos antibióticos... Por falar em antibiótico, esse é campeão de uso quando o assunto é síndrome gripal. Sabe qual o saldo dessas condutas? No caso dos anti-inflamatórios, o abuso pode causar, dentre outros agravos, úlceras estomacais, bem como problemas renais, sobretudo em pacientes idosos e imunossuprimidos. Já em relação aos antibióticos, o uso indiscriminado têm gerado resistência bacteriana. O que isso quer dizer? Trocando em miúdos, quer dizer que seu corpo pode não mais responder a nenhum tipo de antibiótico, predispondo a infecções bacterianas sem controle, sem tratamento, podendo levar à morte.


Os anti-inflamatórios e os antibióticos são dois pequenos exemplos do mundo farmacêutico, mas existem muitas outras classes de medicamentos que quando não bem indicadas, trazem sérios perigos à saúde. Por falar em perigo, precisamos conversar sobre o ato de dar um remedinho a vizinha, a amiga, a conhecida... mesmo que a sua intenção seja ajudar, cuidado ao fornecer e/ou aconselhar qualquer tipo de medicamento. Você pode estar contribuindo para o agravamento de um determinado problema.


E mais, já parou para pensar que a pessoa que você está oferecendo o remédio pode ter alergia a ele? Uma “ação de boa vontade” pode gerar danos irreparáveis, afinal, uma simples queixa pode ser muitas outras coisas escondidas. Lembre que nem tudo que deu certo com você, pode dar certo com o outro. Cada caso é um caso! Então, nada de ensinar remedinho para dor, para dormir, para emagrecer e por aí vai. O conselho certo nessas situações é: “tem queixa de saúde, minha amiga? Procura um médico!”


Em suma, pense que “fazer a feira na farmácia” e estocar remédio em casa não te trará confiança, ao contrário, pode te induzir a ter sérios problemas: tomada de medicamentos fora da validade, armazenamento em locais indevidos que podem modificar a qualidade do medicamento, risco de crianças terem acesso a esses medicamentos e se automedicarem também, podendo sofrer intoxicações, dentre outros entraves.


A confiança deve ser sentida quando o medicamento for prescrito mediante diagnóstico por profissional habilitado, avaliação da necessidade, adequação de dose para cada caso, enfim. Melhor tratar o problema através da sua origem do que ficar sobrecarregando seu organismo com medicamentos que talvez amenize os sintomas, mas que mascarem a verdadeira doença, protelando a cura.


Pense bem antes de tomar qualquer medicamento por conta própria ou indicação de terceiros não capacitados. Sua saúde vale ouro, custa sua vida, uma vida inteira, e isso já é o suficiente, não acha?! Saúde a todos! Cuidem-se!


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Thaynara Oliveira Médica - CRM/SE 6070 * o texto acima é meramente informativo e não substituiu a consulta médica.

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