Marciel Soares - A pandemia na educação: impactos e lacunas de aprendizagem


Em 2020 as redes de ensino públicas e privadas suspenderam temporariamente as aulas, em combate à pandemia do novo corona vírus. A princípio por 15 dias, 30 dias, e depois todos sabem o que aconteceu.


Sendo assim, as soluções de ensino remoto através da utilização de tecnologias digitais foram implementadas nas escolas para enfrentar as demandas emergenciais, porém, seus efeitos se mostraram limitados. Nesse sentido, as adaptações ao mundo digital ocorreram nas redes públicas e nas redes particulares de ensino, através da utilização de aplicativos de videoconferência e da criação de ambientes virtuais de aprendizagem.


Com o ensino remoto e todos os entraves, os educadores tiveram que adaptar seus conteúdos para o formato online direcionando aos alunos atividades que foram cruciais para minimizar os prejuízos do período de ausência das aulas presenciais. Reaprender a ensinar e reaprender a aprender foram os principais desafios enfrentados por alunos e professores em meio ao isolamento social na educação de nosso país.


Dentre a imensidão de desafios, devemos destacar que as ferramentas digitais utilizadas necessitavam ter parâmetros de qualidade para uma maior eficácia. Outro ponto a ser mencionado é que as desigualdades de acesso às tecnologias são enormes, haja vista que nem todas as crianças têm computador, tablete, smartphone e acesso à internet. Com tudo, o ensino remoto ainda era a melhor saída para minimizar os prejuízos causados pela ausência das aulas presenciais.


Sabemos que depois do período de isolamento, passamos a ter uma nova visão sobre a educação, surgiram novas formas de ensinar e aprender. Os professores aprenderam a avaliar e planejar no mundo digital. Os pais e responsáveis puderam entender qual o papel do professor na educação e perceberam que os profissionais não mediram esforços para recriar métodos de ensino aprendizagem.


No período em questão, foram afetados docentes e discentes de diversos níveis e faixas etárias, muitos pela assimetria educacional já existente e que ficaram mais evidentes pela falta de planejamento do ensino à distância (os professores não estavam preparados para isso) quanto as lacunas de acessibilidade de professores e estudantes para a utilização das tecnologias educacionais.


A dinâmica de ir à escola, de conviver com diversas culturas, de estar sob o olhar do professor foi substituída por ficar em casa, por conta disso, diversos problemas de aprendizagem surgiram. Os alunos retornaram às escolas com déficits, com a capacidade de ler, escrever e interpretar prejudicada, com costumes de uma rotina caseira, que é totalmente diferente da rotina escolar. As instituições de ensino continuarão sendo o local de convivência mais permanente fora de casa, uma instituição contínua, sistemática e que não existe outro espaço com as mesmas características.


O período de pandemia nos revelou a importância da imagem do professor e do valor profissional, esclarece as limitações da educação familiar e a importância da escola na vida das pessoas. É verídico que a valorização dos profissionais da educação ainda não é a ideal, mas a ideia de que a educação escolar é imprescindível passa a ter uma nova perspectiva.

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