Adelmo Barreto - 8 de julho de 1820: Alegrai-vos, Sergipanos!


Aos 8 de julho de 2022 o estado de Sergipe festeja 202 anos 8 de emancipação política.


Em 22 de abril de 1500 Pedro Álvares Cabral chega à terra de vera cruz, terra de santa cruz e depois Brasil. durante 34 anos o Brasil foi quase que esquecido pelo governo português, diante das invasões das outras nações, inicialmente a França e depois a Holanda, que não reconheciam o tratado de Tordesilhas, Portugal vê a necessidade da ocupação das terras, colonizar para não perder em 1534 o Rei Dom João III implanta o sistema administrativo das capitanias hereditárias. O atual território de Sergipe quase em sua totalidade pertencia a capitania da Bahia (Baía de todos os Santos) sob o comando de Garcia d´ Ávila. em 1590 foi criada a capitania de Sergipe Del Rei tendo Cristóvão de Barros, fundador da cidade de São Cristóvão seu primeiro governante. a capitania permaneceu subordinada a Bahia até 8 de julho. Inicialmente a capitania pertencia a Francisco Pereira Coutinho.


O caminho até a independência


Desde o início a colonização de Sergipe esteve ligada a pecuária e permaneceu assim até as duas primeiras décadas do século XIX quando surge o advento da cana-de-açúcar e décadas depois o algodão o que trouxe prestígio e importância a pequena capitania. apesar de um relevante desenvolvimento econômico, nesse momento Sergipe não contava com uma elite intelectual, diferente do que acontecia com a capitania de Pernambuco que contava com um grupo de idealista e intelectuais. em 1817 é deflagada a revolução pernambucana, uma reação a centralização do poder no Rio de Janeiro e a alta cobrança de impostos. Seus objetivos eram a emancipação e a criação de uma república em Pernambuco, conforme estava acontecendo na américa espanhola.


Os revolucionários buscaram o apoio da Bahia e Sergipe, ambas ficaram ao lado da coroa. Sergipe tinha localização estratégica no caminho á Pernambuco, senhores de engenhos e fazendeiros utilizavam o porto de Salvador para exportar a produção sergipana, fato que gerava uma dependência econômica com aquela capitania. a coroa do Reino Unido Brasil, Portugal e Algarves organizou uma ofensiva partindo da Bahia e passando por Sergipe, sob o comando do conde dos arcos. reprimida a revolução, Sergipe é visto com bons olhos pela coroa e em 8 de julho de 1820 o Rei Dom João VI emite a carta régia tornando Sergipe independente politicamente da Bahia. em seguida nomeia seu primeiro governante, o brigadeiro Carlos César Burlamarqui.


Porém, Carlos Burlamarqui não permanece um mês no poder. um acontecimento em Portugal muda toda a história. após estourar a revolução liberal do porto, os portugueses exigiam uma assembleia, que ficou conhecida como cortes gerais, para a confecção de uma constituição, exigiam o retorno imediato de Dom João VI e sua família e que o Brasil voltasse a condição de colônia. na Bahia foi organizado uma junta provisório que de imediato revogou a carta régia de Dom João VI na qual tornava Sergipe independente da Bahia.


Carlos Burlamarqui foi deposto e seu lugar foi nomeado o brigadeiro Pedro Vieira de Melo.


O príncipe Dom Pedro desobedecendo as ordem das cortes portuguesa decide ficar no Brasil, aos 9 de janeiro de 1822 no episódio que ficou conhecido como dia do fico. As cortes passam a não reconhecer a autoridade do Príncipe Dom Pedro, como também impõe medidas restritivas ao Brasil. no dia de 7 de setembro de 1822 Dom Pedro declara o Brasil independente de Portugal.


Nesse contexto Sergipe ficou dividido entre os que defendiam Portugal e a submissão à Bahia e os que defendiam a independência do Brasil e de Sergipe. a maioria dos senhores de engenho de Sergipe, pensando nos seus negócios com Salvador ficam do lado português, já a parte sergipana médio urbana e ligados a pecuária apoiam a separação. a guerra pela independência do Brasil ecoa na Bahia, tendo destaque para o General Labatut que comanda a reação brasileira, o exército patriótico e no dia 2 de julho de 1823 liberta a Bahia do domínio português e consolida a independência do Brasil. diante do apoio de partes dos sergipanos a tropa de Labatut, o agora imperador do Brasil, Dom Pedro I reconhece a independência de Sergipe em relação a Bahia e no dia 5 de dezembro de 1822 a carta imperial reconhece o decreto de Dom João VI de 8 de julho de 1820 e liberta Sergipe definitivamente da Bahia. em razão deste fato a então província de Sergipe passa a contar com duas datas de independência.


Referências:


RISÉRIO, Antônio. Uma história do povo de Sergipe/Antõnio Risério.

– Aracaju,SE: Seplan,2010.


NUNES, Maria Thetis. História de Sergipe a partir de 1820/ Maria Thetis Nunes.

– Rio de Janeiro: Cátedra; Brasília: Inl, 1978.


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