Thaynara Oliveira - Aberta a temporada de viroses: o que você precisa saber


As viroses, como o próprio nome sugere, são um conjunto de sinais e sintomas decorrentes de uma infecção provocada por vírus. Muitos já devem ter questionado o termo virose com a célebre frase: “Mas também, tudo agora é virose?!” Calma! Nem tudo é virose, mas digamos que uma boa parte das doenças que cursam com sintomas respiratórios e/ou gastrointestinais têm origem viral.


O que intriga a muitos é que o termo virose é genérico e não denomina a doença de fato. Digo-lhes que dar nome a virose é um fator importante sim, porém não é essencial na grande maioria dos casos. Isto porque, se você chega em um serviço de urgência com sintomas gerais compatíveis com infecção viral, sem sinais de gravidade, geralmente esses sintomas são tratados da mesma forma, independentemente do nome de virose. Uma boa avaliação médica permite inferir o tratamento correto de acordo com o quadro clínico apresentado.

E, se mesmo assim você ainda quiser saber qual vírus te infectou, se for uma virose com sintomas genéricos, sem sintoma patognomônico que infira um exame específico, é possível sim saber o nome do vírus. Há um exame chamado painel viral, em que são mapeados vários tipos de vírus em uma só amostra, dando nome ao vírus responsável pela sintomatologia. Entretanto, é um exame de alto custo e que seu resultado não é divulgado brevemente (as vezes bem depois que o paciente já está sem sintomas). E,reiterando, independente do nome do vírus ou não, o tratamento será, na maioria dos casos, o mesmo. Então, reflitam comigo, só pelas razões de custo e morosidade, vale mesmo a pena fazer painel viral em todos os casos? Então...


As doenças virais têm, normalmente, um período de ação em que os sintomas se intensificam e posteriormente se abrandam, seguindo sua evolução natural que dura, em média, de 5 a 7 dias, podendo ter sua resolução antes ou depois desse intervalo. No período de intensificação, de agudização, trata-se os sintomas apresentados, a exemplo de febre, dor, coriza, vômitos, dentre outros. Se não houver infecção secundária por outro vírus ou por bactéria, a resolução do quadro ocorre gradativamente.


Importante saber que não há um medicamento específico para erradicar determinados vírus. Existem medicamentos capazes de neutralizar a ação viral (antiretrovirais), abrandando os sintomas, ou medicamentos que tratam os sintomas em si (sintomáticos como os analgésicos e antitérmicos). Um exemplo prático: quando você toma um medicamento antigripal você não está se medicando para acabar com o vírus da gripe em seu corpo; você está se medicamento contra os sintomas causados pelo vírus. Nesse caso, você estará curado da gripe quando o ciclo do vírus concluir sua ação em seu organismo, sem gerar sintomas, independente do medicamento que você utilizou para essa finalidade.


Estamos num período de viroses sazonais, bem comuns nessa época do ano em que há mudanças no clima, aumento no volume de chuvas, aglomerações. É um período propício para infecções virais, sobretudo as que cursam com sintomas respiratórios e/ou gastrointestinais, a exemplo das gripes, gastroenterites e, sem esquecer, da COVID... São viroses transmitidas por gotículas respiratórias. Entretanto, convém lembrar que existem outras viroses além das respiratórias, que possuem importância sanitária e epidemiológica, como a dengue, Chikungunya e Zika que não são transmitidas de pessoa a pessoa, pois elas necessitam de um vetor, neste caso o mosquito, para transmitir a doença.


Você sabe como prevenir essas “viroses”? Quanto às viroses de transmissão respiratória, as principais e mais efetivas medida de prevenção são uso de máscaras, higiene correta das mãos com água e sabão (ou álcool gel na ausência destes), evitar aglomerações e tomar as vacinas quando disponíveis e indicadas. Essas medidas, que sempre existiram, a pandemia da COVID 19 nos trouxe à tona e devem ser levadas pra vida. Já as viroses transmitidas por um vetor como o mosquito, a principal forma de prevenção é a erradicação dos focos de criação e reprodução dos mosquitos.


E quando se preocupar com um quadro de virose? Sintomas intensos que não regridem com uso de medicamentos sintomáticos (Febre alta intermitente, por exemplo), queda do estado geral, desidratação, vômitos que não cessam e impedem qualquer tipo de ingestão via oral, dentre outros. Lembrar que idosos, crianças, pessoas com doenças crônicas e/ou com comprometimento imunológico por qualquer razão, gestantes, são grupos que requerem atenção especial.


Reforço que, obviamente, cada caso é um caso e deve ser avaliado individualmente. Então, independentemente se você está ou não nos grupos acima mencionados, e não tem evoluído bem, com sintomas cada vez intensos, uma avaliação médica é imprescindível. Para não perder o hábito, não esquecer do cuidado com a automedicação. Saúde a todos!

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Thaynara Oliveira Médica - CRM/SE 6070 * o texto acima é meramente informativo e não substituiu a consulta médica.

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