Thaynara Oliveira - A inimiga silenciosa chamada hipertensão arterial

Atualizado: 5 de abr.


Ao longo da sua vida certamente você já ouviu falar em hipertensão arterial, ou simplesmente, pressão alta. Aliás, não só ouviu falar, como deve conhecer alguém que possua essa doença. Mas, você sabe exatamente o que é pressão alta?

Imagine o encanamento da sua casa. Pense que a caixa d’agua é seu coração, que os canos são os vasos sanguíneos e que a água é o sangue. Se os canos estiverem bem posicionados, sem sujeiras, impurezas, a caixa d’agua consegue enviar a água livremente, sem dificuldades, sem “forçar a barra”, distribuindo a água rapidamente. Agora, se houver qualquer tipo de barreira na encanação, obviamente que a caixa d’agua necessitará fazer mais força, exercer uma certa pressão para conseguir enviar a água para abastecer toda a casa de maneira uniforme.

Essa analogia serve para exemplificar como funciona o mecanismo da pressão alta no nosso corpo: quando o coração (caixa d’água) não consegue enviar o sangue (água) livremente, ele exerce pressão nas veias e artérias (canos) para tentar impulsionar a irrigação sanguínea eficazmente. Acontece que essa pressão vai aos poucos forçando as estruturas e, a longo prazo, causando danos, sobretudo nos órgãos-alvo, como coração, cérebro, olhos e rins.

Contudo, todos esses mecanismos acontecem de forma silenciosa, isto é, não geram sintomas na maioria das vezes. Isto porque nosso corpo possui estratégias de compensação para tentar equilibrar o que não estiver fluindo naturalmente. Talvez esse seja um dos principais motivos para o descaso de muitos pacientes com a doença: não dói, não sente nada... As vezes quando vem a sentir aquela dorzinha na nuca, visão turva, aperto no peito, já é tarde demais...

A Sociedade Brasileira de Cardiologia (2021) afirma que pelo menos 45% das mortes por doença cardíaca têm associação com a pressão alta e tais mortes ocorrem, sobretudo, por lesões crônicas de órgãos-alvo, conforme explanado acima. A instituição reforça ainda que as doenças cardiovasculares são, hoje, responsáveis por quase um terço das mortes no Brasil, atingindo principalmente as camadas sociais com acesso precário aos serviços de saúde.

Podemos reverter esses números? A resposta é sim! Existem hábitos de vida que podem ser adotados tanto para prevenir quanto para tratar a hipertensão, afinal, o tratamento não se resume apenas à tomada de medicamentos, como também na adoção de mudanças de estilo de vida. E quais seriam esses hábitos? Prática regular de atividade física, redução na ingesta de sódio (sal) da alimentação, sono regular, controle na ingesta de bebidas alcoólicas, controle do peso (obesidade e sobrepeso são fatores negativos), dieta saudável e balanceada, evitar ingesta abusiva de medicamentos sem prescrição e∕ou acompanhamento, dentre outros.

Além disso, após os 18 anos, recomenda-se a aferição da pressão pelo menos uma vez ao ano. Se a pressão aferida em condições ideais (aparelho calibrado, com a técnica correta, paciente em repouso...) der valor maior ou igual a 140 x 90 mmHg é necessário consulta médica para avaliação e rastreamento de possível diagnóstico de hipertensão arterial. Mas, se você já tem o diagnóstico da doença, é necessário além do acompanhamento regular no serviço de saúde, respeitar seus limites, fazer uso correto das medicações prescritas, seguir um estilo de vida saudável e, principalmente, nunca subestimar a potencialidade da doença. Ou seja, não espere sentir algo para entender que pressão alta não é brincadeira.

Hipertensão arterial é uma doença crônica, não transmissível, que não tem cura, mas tem tratamento. Então, se você, amigo leitor, é hipertenso ou tem algum hipertenso em seu convívio, reforce a necessidade dos cuidados regulares e contínuos. A sua saúde agradece!

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Thaynara Oliveira Médica - CRM/SE 6070 * o texto acima é meramente informativo e não substituiu a consulta médica.

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