Jilberto Oliveira - Memorial Pedro José dos Santos


Há um consenso de que a memória é um dos meios de manter viva a história de um povo e que os elementos memoriais, além de guardiões do passado, funcionam como pontes entre as gerações que se foram e as que virão. Também é consensual que voltar as costas ao passado é condenar-se ao esquecimento, tendo em vista que só valorizamos aquilo que conhecemos.


Moro em Malhador, uma cidade localizada na microrregião do agreste central de Itabaiana. No mapa de Sergipe, encontramos o município em forma de um coração, bem no centro do estado. A nossa história está ligada aos colonizadores de Itabaiana embora pertencêssemos territorialmente ao município de Riachuelo.

Na escola, os alunos aprendem que Malhador teve origem agropastoril e que nossa economia girava em torno da cana-de-açúcar e do algodão. Sobre os nossos pioneiros, pouco se conhece. Quando nos referimos a eles, vêm à mente José Joaquim Cardoso, dono do Engenho Mutaca e o filho João Cardoso que veio a ser o primeiro prefeito do município, mas essas personalidades são da história recente. Excetuando-se essas duas personalidades, quem foram os homens e mulheres notáveis que habitaram nosso solo antes de 1953, ano em que fomos emancipados de Riachuelo? Confesso que tenho poucas informações desses heróis e heroínas que lutaram a fim de que chegássemos ao privilégio de sermos município independente. E vem outra pergunta: como era Malhador na condição de povoado?


Talvez esse último questionamento fique sem resposta, pois são poucas as referências de nosso passado histórico, principalmente, em se tratando de registros escritos. É como se, de repente, o nosso município surgisse do nada e se tornasse emancipado em um toque de mágica haja vista que as escassas informações de que dispomos passaram a ser registradas, justamente, a partir da década de 1950, quando Malhador foi elevado à condição de município.


Recentemente, fui convidado a comparecer ao museu de Malhador, denominado Memorial Pedro José dos Santos, a fim de participar de um evento cultural. Pasmem! Nossa cidade dispõe de um local destinado a recolher, guardar, conservar e expor elementos materiais que pertencem ou já pertenceram a pessoas de nosso município e/ou região. Foi a primeira vez que estive naquela casa e fiquei encantado. Não tinha dimensão de que nossa memória, representada ali pelo acervo exposto, seria tão rica. Falo isso isento de bairrismo, embora seja apaixonado por nossa gente e pelo nosso lugar.


Já visitei alguns museus, dentro e fora do estado. A conclusão a que cheguei é que o memorial malhadorense não faz feio diante deles, tendo em vista que contém muitos itens os quais atestam nossa história, nossa cultura e nossos hábitos conforme o tempo foi passando e recebendo os novos elementos da modernidade. O museu é uma leitura na linha do tempo, representada pelo acervo material ali exposto, embora cada entidade tenha sua particularidade já que registra a variedade cultural do local em que está inserido.


Tão fascinante quanto o acervo do Memorial Pedro José dos Santos é sua história. Tudo surgiu em setembro de 1996, a partir de uma ideia própria da professa Gedma, filha do patrono. No entanto, somente em 1998, ela começou a recolher objetos de época, pertencentes a membros da família e passou a guardá-los em um quarto de sua casa. No entanto, à medida que guardava as peças recolhidas, notou que o cômodo, destinado a elas, tornara-se pequeno. Diante dessa constatação, lançou mão de algumas economias e, no ano 2000, adquiriu um terreno na Rua Santa Rosa onde, dois anos depois, começou a construção do que é hoje o museu, denominado memorial. Foi um período difícil, segundo Gedma, cheio de altos e baixos.


Depois de uma pausa, a construção foi retomada em 2003, mas a obra só foi concluída em 2010, no dia 12 de setembro daquele ano. Levando-se em consideração que a pedra fundamental foi lançada em 2002, temos aí um longo período de oito anos no qual foram desprendidos muita luta, esforços e custos. Tempo longo que poderia esmorecer qualquer pessoa, menos Gedma que só descansou quando a viu tudo pronto, em condições de ser inaugurado.


Finalmente, o prédio do Memorial Pedro José dos Santos, o museu de Malhador, estava erguido, mas era imenso. Com um piso térreo e outro superior, divididos em vários compartimentos, onde caberiam no só o acervo que já existia, mas também outros itens que a ele fossem agregados. Então, Gedma começou a percorrer o município em busca de objetos de época, através de conhecidos ou de pessoas indicadas. Nessa garimpagem, conseguiu muitas peças de raro valor que poderiam ser lançadas ao lixo, não fosse nossa garimpeira dos bens culturais. Findo o trabalho por aqui, lançou a busca em outros recantos da região e, hoje, temos um patrimônio invejável, digno de ser reconhecido tanto pelas pessoas daqui como do estado e demais regiões do nosso país.


Por último, com um acervo louvável, a professora arrumou o espaço, colocou o nome do pai, Pedro José dos Santos, na fachada e convidou algumas personalidades para cortar a fita de inauguração a qual sé deu no dia 25 de novembro de 2014, data da emancipação política de nosso município. E, assim, com o projeto inicial de guardar objetos pertencentes à família, Gedma acabou preservando a memória não somente de Malhador, mas de toda a região.


Quando você vier a Malhador/SE, visite o Memorial Pedro José dos Santos. Tenho certeza de que irá se encantar com o nosso acervo.


NOTA:

Aberto às terças-feiras das 14h30 às 17h.

Quartas e sextas-feiras das 10h às 12h e das 14h às 17h.

Eventos e feriados das 10h às 16h





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