Jilberto Oliveira - Destaques da Tribo

Atualizado: 3 de jun.


Um dos mais animados era o Figuinha. Simplesmente, estava insuportável. Descamisado, mostrava os músculos que ganhara numa academia de Itabaiana e, quando se exibia pros colegas, apontava os bíceps e o peitoral. Alguns se admiravam da performance adquirida em tão pouco tempo; outros ficavam intimidados, mas ele não queria saber de conversa. O que importava mesmo era tirar onda de todo mundo.


Entre os convidados, estava um colega de escola conhecido por Samuca. Este, meio que duvidando, falou pro Figuinha: deixa ver se esse peito é mesmo de aço! E o Figuinha respirou fundo, fez pose de halterofilista e veio em direção a ele. De imediato, levou uma carimbada frontal e estremeceu. Minutos depois, vestiu a camisa pra esconder os músculos e uma mancha avermelhada, contendo cinco dedos.


O Pinóquio quando percebeu que Figuinha fizera sucesso, ao mostrar uma montanha de músculos, começou também a exibir seus dotes atléticos à borda da piscina. De início, com saltos ornamentais ao estilo pirueta: frente, trás, pontapé à lua e invertido. Lamentavelmente, não chamou à atenção entre os colegas já que eles haviam esquecido o Figuinha e discutiam ferozmente se entre Flamengo e Corinthians qual deles tem maior torcida.


Fim do primeiro round: Pinóquio, cansado das piruetas e faminto foi sentar-se ao lado dos comedores de churrasco, mas preferiu as calabresas, pois estavam mais apimentadas. Satisfeito o apetite, entrou na roda dos batuqueiros e mostrou que também é bom de pagode.


Segundo round: Pinóquio desfilou pelas bordas da piscina, concentrou-se e, vapt! mergulhou de cabeça. Foi uma pena. A piscina havia se esvaziado e continha mais ou menos dois palmos de água. Todos correram para socorrê-lo, mas não foi preciso porque o bravo atleta levantou-se imediatamente e jogou-se para fora. Longe da água, deu-se a outras atividades não menos perigosas. Comeu à vontade e bebeu de tudo que havia. Consequência: passou o resto da tarde dormindo sobre a sombra de uma mangueira, aos cuidados de algumas pessoas sóbrias que estavam de plantão.


Por volta das duas, o clima da festa estava bem animado. Havia comida à vontade, bebidas e batucada. Uma mangueira ao lado da piscina era o ponto preferido por todos. Ali se concentrava uma galera que cantava, sorria, zoava com outros e, principalmente, devorava carne, parecia um monte de lagartas em cima de uma folhagem. No entanto, esse clima de normalidade, não era o suficiente pra deixar os irmãos HB, proprietários e organizadores do evento, tranquilos. Havia sempre uma desconfiança de que, repentinamente, alguém com o nível de testosterona em desequilíbrio resolvesse quebrar as marcas impostas pelos atletas Figuinha e Pinóquio. Fato que, felizmente, não ocorreu. Em contrapartida, havia chovido pela manhã e a entrada do sítio tornara-se uma armadilha pra alguns dos motoqueiros que, mesmo contra a vontade, beijavam o chão; caso se livrassem na chegada, não escapavam na saída.


​Esta pequena narrativa, composta de algumas peripécias, vividas por pessoas de nossa estima, é apenas um flash da festa do primeiro aniversário de Os Kuecas, ocorrida em junho de 2004 no sítio dos irmãos HB. Também é uma forma de homenagear a todos que fizeram parte daquele grupo que ficou na saudade e na história de Malhador. Abraços!!!



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