Jilberto Oliveira - Casamento dos Tabaréus real e oficial

Atualizado: 19 de jul.


Aconteceu nesse domingo, dia 17, a edição oficial do Casamento dos Tabaréus de Malhador/SE, uma das manifestações culturais mais autênticas de nosso município. Após dois anos sem ser realizado, devido ao momento epidêmico em que vivíamos, o casamento deste ano se destacou por uma série de inovações acrescentadas ao evento. Numa delas, o prefeito Assisinho ofereceu, a partir das 10h da manhã de ontem, um robusto almoço para toda a comunidade a fim de turbinar as energias daqueles que ficariam ativos até à noite. Essa ação fez relembrar os casamentos reais dos matutos das décadas passadas em que eram servidos banquetes aos convidados.


Enquanto os convidados almoçavam, ouviam música ao vivo de cantores famosos da região como, Antônio o Clone, Hetinho Marques e a “palinha” que ficou por conta de Limão do Txa-Txa. Ao almoço, também compareceram figuras políticas ilustres do estado.


À uma da tarde, os apreciadores do esporte equestre das cavalgadas se dirigiram à Rua Nova Brasília, local de concentração e ponto de partida do cortejo cerimonial matuto com destino ao Povoado Alecrim. O trajeto, além de incluir o centro da cidade, abrange também áreas muito bonitas da zona rural de Malhador como, os povoados Adique, Poço Terreiro e Siebra.


Assim como ocorre há décadas, o Alecrim é o destino final do Casamento Matuto. É lá onde ocorre o desfile pelas ruas, as premiações inerentes ao evento e a cerimônia matrimonial. Por fim, todos fazem o percurso de volta e chegam à cidade quando já é noitinha, um pouco antes de ir dançar forró na praça de eventos.


Neste ano, dentro das inovações divulgadas, houve apresentações de bandas famosas. Entre elas, fizeram-se presentes: Galã do Brega, Limão Com Mel e Ávine Vinny; as locais foram representadas por: Banda Veia Doida, Vaqueiro Janinho e Marcelinho o Kara Nova.


A exemplo do Acorda Vem Ver, a Administração pública municipal, tendo à frente o prefeito Assisinho e a Secretaria de Cultura não pouparam esforços a fim de realizar uma das maiores festas que já ocorreu em Malhador. E, assim, manteve uma tradição que vem de muitos anos, talvez da época em que ainda pertencíamos ao município de Riachuelo.


Essa ideia de que o Casamento dos Tabaréus remonta a um passando longínquo tem embasamento nos depoimentos das pessoas mais antigas do nosso lugar. Meu pai, por exemplo, não sabia dizer ao certo quando tudo iniciou. No entanto, quando me entendi por gente, já presenciava o cortejo caipira passando pela estrada enlameada do Siebra com destino ao Povoado Alecrim. Era um momento ímpar em nossas vidas de roceiros, presenciar uma cavalgada de pessoas da cidade, fantasiadas de tabaréus, denominada de casamento matuto numa estrada da roça.


Lembro-me que, em uma das edições, existiu um concurso para se eleger o traje mais original. Houve vários dignos de serem premiados. Porém, nós da molecada que assistimos a tudo da beira da estrada, elegemos um cidadão todo vestido das malhas, provenientes da redinha do jereré. Haja criatividade! Por acaso, existiria um traje mais extravagante e original do que aquele? Quantos jererés o moço usou para fazer sua fantasia? Não sabemos. Assim também como ignoramos se ele ganhou o prêmio ou não. Em todo o caso, para a galera do Siebra, ele foi o vencedor.


Ao recordar a época de infância, fico avaliando todas as mudanças que ocorreram através dos anos. Hoje, se muitos daqueles participantes de outrora estivessem vivos, ficariam de queixo caído com tantas inovações acrescentadas ao Casamento dos Tabaréus, pois, naquelas datas, todos os convidados iam somente montados a cavalos, burros ou jumentos. Atualmente, os animais quadrúpedes, concorrem com os jipes, camionetes, tratores e uma infinidade de carros pequenos.


Oficialmente, os festejos juninos de Malhador se encerrariam ontem com o Casamento dos Tabaréus. No entanto, avançou um pouquinho a mais nas horas de hoje. Quanto a isso, ninguém reclamou, pois foi uma maneira simples e original de manter o friorento e apagado mês de julho quente e animado. Animação que será reiniciada no virar de maio para junho do próximo ano, ao roncar a sanfona do Acorda Vem Ver. Até lá, se Deus quiser!


* Fotos gentilmente cedidas pela SECOM



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