Jilberto Oliveira - Casamento dos Tabaréus

Atualizado: 26 de jun.


Se o “Acorda, Vem Ver” abre os festejos juninos de Malhador, o Casamento dos Tabaréus é o grande evento folclórico que marca o encerramento de todas as festividades do mês de São João.


Ao contrário do que se pensa, o Casamento dos Tabaréus não é uma exclusividade nossa, tendo em vista que ocorre em vários municípios sergipanos e nos diversos recantos deste imenso Brasil. Dependendo da região em que acontece, o evento pode sofrer algumas alterações, no entanto, a ideia original continua a mesma desde que chegou aqui, trazida por nossos colonizadores europeus.


Não sei se o leitor já reparou, mas essa grande manifestação cultural folclórica se caracteriza por conter diversos traços de humor. Isso ocorre porque, incialmente, a ideia era satirizar os casamentos que ocorriam nas sociedades de épocas passadas. No entanto, se fizermos uma correlação com a nossa realidade daqui, veremos que não estamos muito longe daqueles tempos passados, haja vista que continuamos realizando o mesmo evento, diferenciado apenas por pequenas alterações.


Já se deram conta de que o nosso cortejo nupcial sempre sai da cidade em direção à zona rural, no caso o Povoado Alecrim, embora já tenha tido como destino outro? Isso tem uma explicação. Até a década de 1960, as pessoas mais afortunadas que moravam nas áreas mais distantes dos núcleos urbanos, como fazendas ou sítios, não se contentavam em casar suas filhas na capelinha local e davam preferência a que o casório fosse realizado na paróquia da cidade. Além de ser questão de honra, dava status e importância social à família. Sendo assim, esses pais vaidosos empreendiam uma grande comitiva, formada por muitos cavaleiros. Quanto mais numeroso fosse o cortejo, maior seria o prestígio dos anfitriões e, assim, não mediam despesas para que as vaidades pessoais fossem mantidas à mostra.


Outro detalhe importante é que hoje os moradores da cidade fazem o caminho inverso daquelas comitivas de outrora. Ou seja, o ajuntamento dos tabaréus parte da cidade em direção à roça. É mais uma prova evidente de que as pessoas que moravam nos meios urbanos, embora olhassem com certo desprezo ou preconceito os casamentos que vinham do interior, no fundo, sentiam admiração e até inveja daqueles espetáculos. Vamos convir: os matrimônios daqueles tempos eram verdadeiros desfiles, eventos espetaculares.


A depender de cada região, o Casamento do Tabaréus possui nomes diferenciados. Pode ser chamado de Casamento Caipira ou Casamento Matuto. Não importa a denominação. O que interessa é que os elementos essenciais são mantidos, seja aqui em Malhador ou em qualquer parte deste país afora. Em todos os casos, há personagens comuns, como os noivos, o pai deles, o padre e o delegado. O cortejo é formado por convidados que pertencem a todos os níveis sociais e todos eles devem estar montados em animais sem distinção de espécie. Pode ser o cavalo, o burro ou o jumento. Tudo irá depender da disponibilidade e do humor do cavaleiro participante.


Atualmente, há um toque de modernidade em tais espetáculos, de modo que é aceitável a presença de tratores, carroças e charretes em meio aos cavaleiros. Quanto ao traje dos participantes, esse é um item diversificado, mas predominam as calças jeans e as blusas quadriculadas tanto para os homens como para as mulheres. É recomentado também que se usem botas e chapéus como adereços pessoais.


Houve um tempo em que o Casamento dos Tabaréus ocorria no Dia de Santo Antônio antes ou depois da quadrilha. Hoje não há uma data fixa. Pode ser realizado em qualquer dia, desde que seja no mês de junho ou logo em seguida a ele.


Em 2022, após dois anos sem que o evento fosse realizado, devido à pandemia de Covid 19, o município de Malhador terá o evento matuto em dose tripla. Um ocorreu nesta sexta (24), promovido pelo senhor Zé da Piscina; outro está previsto para acontecer domingo (26) o qual será destinado apenas para o público feminino, denominado Cavalgada das Tabaroas e o último, chamado de oficial. Esse promovido pela a Administração Pública do Município e está previsto para ser realizado na primeira quinzena de julho. Se depender da disposição dos apreciadores equestres, poderá acontecer até uma edição fora de época. É claro que essa é uma suposição minha, no entanto, não está longe de acontecer. Aguardemos! Feliz São João para todos.

* Este texto poderá ser utilizado como fonte de pesquisa desde que o nome do autor seja citado no trabalho.



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