Fábio Francisco - Malhador, Terra de Milagres!


Assim disse o Padre: Malhador, Terra de Milagres! E tudo silenciou, perante as angústias, lamentações, tristezas, revoltas, medo. O ano de 2016 chega com o peso e resquícios de 2015, andando lentamente e com sequelas de alguns dias tristes e revoltantes, dias, e ano marcado, pela seca de agosto em São Paulo, e a enxurrada de novembro em Minas Gerais, pela crise, pela disputa, pela delação premiada, e se acarretando durante os dias de um novo ano que ainda assim parecia não estar pronto para assumir a responsabilidade, pouco carnaval para muita serpentina, afinal, até o mês da alegria foi restringido a poucas cidades por feridas da corrupção. Mas, a terra fértil, de bom pastoreio e um horizonte de esperança resiste a essa passagem tão sofrida.


Malhador, saudado em março pelo Padroeiro São José, revigorando as forças de um povo trabalhador, católico e crente de dias melhores. E onde tudo poderia está perdido, ou sem fé, a palavra de Deus entra plantando, semeando e confortando o coração dos que se sentiam abandonados. E mesmo muito “lobo em pele de cordeiro”, as festividades não deixaram de ser verdadeiras pelo povo malhadorense. O povo que luta, que planta, que colhe, que sua para viver em uma digna casa em uma digna cidade. E assim vem sendo, e está sendo, nos conformes, não com a rapidez de uma águia, mas com a perfeição de uma formiga.


Das portas fechadas pelo medo, para dias irradiantes. A sensação é que “São José”, tirou a cortina de temor que cobria nossa cidade, assim fazendo com que o ar fosse ainda mais puro, os paralelepípedos fossem ainda mais imperceptíveis e as árvores fossem cada vez menos inquietas. Como estivéssemos sendo salvos pelo ultimo suspiro. Suspiro esse, que lotou a praça do abandono de pessoas com fé, fé que tudo irá melhorar, que irá se render aos poderes daquele que pode mais. Lágrimas de mágoas, lágrimas da desconfiança, lavaram e purificaram os angustiados, os inoportunos, o inconsequente e ate mesmo os inquietos foram tocados.


“Que foi que te encantou nesta donzela? Que foi que te encantou? Que foi que te levou à casa dela? Que foi que te levou?” E assim como a “Cantiga por José” que nos acordava, ou que nos acorda, mesmo que simbolicamente, Malhador foi a donzela perfeita, para ser a “Terra de Milagres” que enchesse os olhos de lágrimas e o coração de esperança. “Agora desposaste a tua eleita na paz do teu Senhor. A vida se tornou bem mais perfeita com ela tem mais cor”. E se fomos eleitos só os dias dirão, não sei se “mais” perfeita, porém com mais cor.

“Ilumina o caminho para que possam encontrar o que há tanto tempo estão procurando. Nós cremos Senhor naquela Tua Palavra: Batei e a porta vos será aberta”.

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