Escritor Jilberto Oliveira lança seu livro Trilhas do Cipoal, homenageando sua professora

Depois de quase um ano que publiquei o romance Trilhas do Cipoal, finalmente, ele foi lançado no Alecrim, terra a qual me serviu de inspiração para escrever a primeira parte da obra. Essa demora se deu por dois motivos: o momento epidêmico em que vivíamos ano passado e a viabilidade de trazer de Lagarto minha professora do Curso Primário para o evento.


Após o contato com Maria Santiago dos Santos (Dona Mariete), minha ex-professora, o convite que fiz foi aceito, mas ainda estávamos dependentes da liberação dos eventos públicos e de que os participantes estivessem vacinados. Atendidos esses pré-requisitos, passamos a planejar uma data que fosse ideal para ambos os lados.

Na quarta-feira, dia 16, na Escola Rural Alecrim, fizemos um encontro que ficará marcado para sempre em nossas vidas. Foi um momento cultural de grande significância para todos nós, tanto por ser o lançamento de uma obra literária como por se tratar de uma homenagem à professora que formou os primeiros alunos do Curso Primário naquela comunidade.

Ao chegar à Escola Rural Alecrim, Dona Mariete, nossa ex-professora, foi recepcionada com flores às quais se somaram os votos de boas-vindas e muitos abraços. Foi um momento muito especial, pois ali se encontravam presentes alguns alunos que estudaram com ela no quadriênio de 1968 a 1971.

Na realidade, o evento foi um encontro de várias gerações, pois, além de contar com as presenças dos alunos veteranos de Dona Mariete, contou também com inúmeras pessoas que foram lá com objetivo de conhecer alguém que se tornou um dos ícones do Magistério em nosso município.

A cerimônia começou com as boas-vindas e o acolhimento. Em seguida, proferi um discurso de 15 minutos no qual destaquei a importância da passagem de Dona Mariete pelo Alecrim, por um período de 7 anos, entre 1967 a 1974. Época em que tive o privilégio de ser aluno dela. Na sequência, a palavra foi cedida a homenageada que narrou os desafios que enfrentou ao deixar Lagarto e assumiu o nosso povoado como sua terra. Naquele tempo, a localidade era carente de tudo: não havia luz elétrica; não tinha ruas asfaltadas; não dispunha de água encanada e telefone, nem pensar.

Qualquer destino era bem distante. Tudo era difícil de se conseguir. Não possuía farmácia, mercadinho, depósito de gás nem serviço bancário. Imagem o choque que teve Maria Santiago, professora recém-formada, quando chegou ao Alecrim, proveniente da grande cidade e passou a lecionar para meninos da roça, diferentes da realidade em que vivia.


Porém, não bastando os desafios que o lugar oferecia, lecionava numa classe multisseriada, com alunos de idades diferentes, indo da primeira à quarta série primária, chegando a formar seus três primeiros alunos no antigo Curso Primário em 1971.

Os próximos a fazerem uso da palavra foram a professora Maria Altair, representando o prefeito Assisinho e a Secretária de Educação Maria Rosilene. Por último, foi a vez de José Carlos de Souza Silva, presidente da Associação Comunitária do Alecrim e representante da comunidade local.

Feito isso, foi lançado oficialmente Trilhas do Cipoal no Alecrim. Em seguida, houve distribuição de exemplares para alguns componentes da mesa e para algumas pessoas que estavam presentes à reunião.

Em seguida, Dona Mariete foi convida a descerrar a placa que, além de homenageá-la, traz os nomes dos seus três primeiros alunos formados no Curso Primário na escola e em todo o povoado: Maria do Carmo Tenório, Delson dos Santos (In memoriam) e eu, Jilberto Rodrigues de oliveira.

Descerrada a placa, houve as considerações finais e o evento se encerrou com o oferecimento de um coffee break para todas as pessoas que se encontravam presentes.


Por Jilberto Rodrigues de Oliveira

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