Cantora malhadorense é aprovada em audições e passa a fazer parte do Coro Sinfônico de Sergipe


Aconteceu na última quarta-feira, 23, as audições para o Coro Sinfônico de Sergipe, parte integrante da Orquestra Sinfônica de Sergipe (Orsse), a Fundação de Cultura e Arte Aperipê (Funcap), realizou, na sala de ensaios do Teatro Tobias Barreto.


A banca foi composta por Guilherme Mannis (regente da Orsse), Verônica Santos (preparadora vocal) e Susan Rabelo (Spalla). No total, foram 45 participantes para a vaga de 32 ocupantes no grupo. A cantora malhadorense, Luzia Claudia Souza de Jesus foi a primeira colocada na categoria Soprano, o naipe feminino mais aguda e com maior alcance vocal de todos os tipos de vozes.


Luzia Cláudia, natural de Malhador, é filha dos saudosos Cláudio de Jesus (sr. Lio) e Maria José de Souza de Jesus (Maria Parteira), pessoas de família simples e batalhadoras. Sua mãe era a melhor parteira da cidade, já seu pai era um dos melhores vaqueiros que tinha na região, Luzia também tinha músicos em sua família, tanto da paterna como da materna, seu avô materno, sr. Rodrigo, tocava flauta, “seu. Lio” tocava pandeiro e cantava e o avô dele também tocava violão.


Luzia conta que não foi nada fácil no dia da audição, “não vou mentir, fiquei um pouco nervosa, porque era um mundo novo para mim, me encontrava de frente com maestros, pianistas e solistas que iriam fazer a prova e que era uma coisa que eu nunca tinha feito, nunca fiz aula de canto, tudo que eu sei é dom. Aí eu fiquei, ‘Meu Deus como é que eu vou fazer isso, eu não sei cantar para definir direito a minha voz em lírico’, é um mundo muito diferente, eu gosto, mas é uma coisa diferente e que eu nunca fiz, tanto que a minha primeira apresentação de fato foi aqui na igreja matriz, cantando a música Noite Feliz, mas graças a Deus, tirando o nervosismo e a garganta um pouco rouca no dia, consegui passar pelos exercícios que precisava e a audição foi um sucesso,”


PRIMEIRO CONTATO COM A MÚSICA CLÁSSICA


“A convite do maestro Matheus, que agora faz parte das cordas aqui na Filarmônica Jacinto Figueiredo, fiz uma apresentação aqui na igreja matriz de Malhador, cantando lírico na noite de Natal, Mateus foi quem me descobriu dentro da filarmônica, comecei fazendo aula de violino e uma certa vez o pessoal comentando que eu cantava bem. Ele ficou atento também e em um dia eu tirando umas notas vocais e acabou ele ouvindo, isso o encantou e ele falou, ‘olhe quando tiver inscrição para o coro e da Orquestra Sinfônica eu vou fazer de tudo para você se inscrever, não perca, você tem um talento extraordinário, consegue cantar em um tom muito alto e vai ser ótimo para você, com certeza vai ter condições de passar’ vendo que eu tinha ritmo, harmonia e melodia”, relata Luzia


“Depois que ele falou isso eu comecei a me dedicar mais na questão lírica porque era uma coisa que eu gostava desde criança sempre gostei, quando meu pai ligava rádio na Cultura de Sergipe eu ficava ouvindo madrugada por conta daquelas músicas que abriam fundo musical, as músicas clássicas ou mesmo as instrumentais, eu pedia para meu pai colocar aquelas músicas, nisso fiquei com essa coisa de música clássica, sem na época saber que se tratavam de músicas clássicas. Depois da minha adolescência que comecei a entender mais um pouco e comecei a pesquisar mais a fundo nos livros, pois na época ainda não tinha internet, em alguns posts que aparecia em revista ou coisa parecida, mas como eu via que não tinha um certo espaço então comecei a investir mais no MPB, você mesmo me ajudou muito, Cleber, divulgando, indo aos shows, então eu fui para lado do MPB porque era uma coisa que não era tão parecido, mas aproximava um pouco do eu sonhava, entrar em uma orquestra.”


Luzia conta também que não era bem o sonho dos pais, mas que sempre a apoiaram, “o sonho de minha mãe era que fosse fazer enfermagem, por ela ser parteira, mas eu nasci pra ser música mesmo, pena que elas não estarem mais aqui para ver a realização de meu sonho, que meu pai mesmo babava quando me via, uma certa vez eu fui cantar a Ave Maria em lírico, depois de pesquisar muito, e eu vi meus pais chorarem emocionados, depois disso eu prometi para mim mesma que no dia que eu tivesse a oportunidade eu não perderia”.


“Foi aí que surgiu o maestro Matheus na vida de Luzia, “Coincidentemente veio o maestro Matheus para Malhador, eu digo que ele foi um anjo de luz na minha vida, Deus sempre usa pessoas, e usou ele para que ele me colocasse na filarmônica, me conhecer como cantora e me inscrever nesse concurso. Mathias também é outra pessoa que me apoiou e incentivou bastante”.


A Voz de Ouro de Malhador, como assim a batizou o saudoso Beto Som, agora faz parte do coro da Orquestra Sinfônica de Sergipe, “é maravilhoso demais para mim, é tanta emoção que eu não sei expressar. Agradeço muito ao maestro Mateus, da Filarmônica Jacinto Figueiredo Martins, pois se não fosse por ele, talvez eu nem ficasse sabendo desse concurso e consequente não estivesse hoje fazendo parte do coro da Orquestra Sinfônica de Sergipe, e a toda população de Malhador que sempre me apoiou”, concluiu Luzia Claudia.


O MAESTRO-AMIGO


O maestro Mateus dos Santos Santana é formado em Música pela Universidade Federal de Sergipe, é pós-graduado em regência orquestral e está concluindo outra pós-graduação na área de gestão de projetos musicais, já trabalha há muitos anos na área de cordas, é professor de violino, viola, violoncelo e contrabaixo, enquanto acadêmico teve o privilégio de aprender vários instrumentos na universidade, como piano, flauta transversal e violão, além de canto e regência.


“Eu tive o privilégio de estar fazendo parte da orquestra de Malhador, da Filarmônica Jacinto Figueiredo Martins, tenho uma experiência muito boa na área de canto, mas o incrível quando você conhece alguém que realmente tem o dom para cantar e foi o que aconteceu entre alguns alunos da filarmônica, descobri uma pessoa brilhante onde poderia se destacar num canto lírico, a nossa querida Luzia. Até então eu não esperava, não tinha nenhum propósito de surgir vagas para a área de canto na Orquestra Sinfônica de Sergipe. Foi quando um colega me comunicou que tinha surgido algumas vagas e aí de imediato passei para Luzia, ajudei ela até o final, no último dia de inscrição a gente estava lutando para conseguir a inscrição. Foi quando, graças a Deus, deu tudo certo e a nossa querida Luzia com o seu potencial, com a sua voz brilhante, com sua voz incrível passou em primeiro lugar e hoje ela faz parte do Coral da Orquestra Sinfônica de Sergipe. Eu só tenho a agradecer e dizer que ela tem um coração de ouro uma pessoa maravilhosa e com certeza vai se destacar muito e, com fé em Deus, ela vai estar também fazendo alguns cantos líricos e está solando junto à Orquestra Sinfônica de Sergipe”, relatou o maestro Mateus


CORO SINFÔNICO DE SERGIPE


O Coro Sinfônico da Orquestra Sinfônica de Sergipe é um grupo com crescente destaque no cenário nacional. Foi criado em 2005, sob a regência do maestro Daniel Freire, que permanece até hoje, conduzindo o grupo. Desde 2011 tem como preparadora técnica e vocal a soprano Verônica Santos, que desde então desenvolve um trabalho específico com aulas de canto para os membros do coro, proporcionando um significativo crescimento vocal do grupo. A direção artística geral da ORSSE é do maestro Guilherme Mannis.


As atividades desenvolvidas pelo grupo consistem em concertos solo e apresentações junto à Orquestra Sinfônica de Sergipe. Além do maestro Guilherme Mannis, o coro já atuou sob as batutas de maestros como Isaac Karabtschevsky, Marcelo de Jesus, Daniel Nery e Ion Bressan.


CANDIDATOS APROVADOS


> Soprano

Luzia Claudia Souza de Jesus

Manuela Rocha Lima


> Mezzo-Sopranos

Ana Elisabeth Oliveira dos Santos

Gilza dos Santos

Thais Maira do Nascimento


> Tenor

Adelmo Lima

Lucas de Jesus Santos

Lucas Matheus Vitall de Jesus

Matheus Poconé Ribeiro Santos


> Barítono/Baixo

Antônio Mateus da Paz Santos


Por Cleber Santos, com informações da FUNCAP/SE


* fotos gentilmente cedidas por Mathias Alves

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